Visualizar Volta da Variante Ramones - Arvrinha em um mapa maiorA proposta era simples, um pedal light pedira Guilherme no torpedo confirmando o pedal notuRno foRte de Terça. Já Enrico tinha falado em um pedal curto para retornar às atividades e se preparar para um Caminho da Fé; nome dado geralmente a caminhos envolvendo Flagelação & Sofrimento em homenagem religiosa.
Cheguei na Arvrinha antes da hora e disparei uma fogueira. Espécie de terapia ocupacional que ajuda a passar o tempo e não pensar em besteira em pleno Temido Singletrack da Urbanova. Logo depois chegou o Enrico. Ficamos ali de bobeira, proseando e alimentando o fogo com Eucalyptus citriodora, aquele da sauna.
Mais algum tempo, Bortola liga falando que vinham em grupo, ia atrasar um pouco para trocar uma corrente. Ainda vamos falar dela. Logo chegaram os cabras em 4, só farolzão forte tipo moto. Ficamos naquela vamos onde? Sugeriram a Volta do Bóia, emendei: "Vamos fazer entrando pelo Bóia ao contrário e pegando pela Variante Ramones em direção à Prainha da Represa do Jaguarí, pedal com morros mas curto. Se fizer no ritmo é tranquilo".
Claro que a rapaziada queria ver sangue e quem fez mais no ritmo foi mesmo eu, Enrico e Bortola. Os outros três foram se mordendo desde o downhill do Mirante da Bhrama. Vai vendo.
Na entrada do Bóia a gente deu uma agrupada. Avisei para cuidar para não se perder "na frente". Acontece muito se o cara for afoito e pedalar mais que a média do grupo. Fomos de boa até a primeira subida foRte de verdade. Na classificação dos passeios da Pedalavalle do Coquinho & Bóia, não tem pedaço nenhum "leve" nem "moderado"; acho essa subida seria "Fodérrima, nem tente, empurrando vc não aguenta".
Mas tá, nem vamos citar nomes a partir daqui. Um cabra bom todo, forte demais, entrou firme na subida pedalando, e a corrente pimba. Pararam ali perto da casa dos cachorros, os bravos, não aqueles pequenininhos de antes. Subi um pouco e fiquei vendo a função do conserto. Nessas horas é melhor deixar quem sabe e se apresentou fazer a parada e nem atrapalhar. Ainda sugeri ir até o topo empurrando. É perto,
veja no mapa; fui voto vencido. Aproveitei para comer e ver as estrelas. Noite linda, lugar super escuro.
Junto de mim o maior de todos, coitado, ficou chorando, po, pedal foda, é trote, quero voltar; foi poraí. Eu dei uns biscoitos salgados. Normalmente o cara fica rabugento quando está com fome, cansado e acabou o açúcar. Falei: "Malandro, agora fudeu! Não estamos indo para a Lua mas já passamos o
"point of no return". O caminho mais perto para retornar à civilização é continuar subindo esse morro aí..."
Aí chega outro. Ô cara Zen! "Meu, noite linda ein? Pq parou aqui? Logo ali é aquele visú loko do Vale né?" Eu falei, "é, mas deixa os caras".
Acabaram de consertar a corrente e pumba, corrente quebrou de novo no mesmo lugar. Como era nova, meu amigo ficou com pena de jogar fora o elo partido. Aí quebra mesmo, já aconteceu comigo. Nisso o cara da casa gritou, Que Porra É Essa Aí! Todo mundo decidiu subir empurrando e acabar lá em cima. Levar chumbo quente nem rola.
Depois disso, fora o choro do Grandão, foi tudo bem. DH selvagem até a náutica e retorno alegre ao Temido Singletrack da Urbanova.
Em casa comi igual um esfomeado.
p.s. Só faça esse pedal se souber o que está fazendo!!! A trilha está na nossa
Coleção de Trilhas MTB do Projeto GPEsse